Não gosto de escrever posts queixosos, melancólicos ou deprimidos. Já vos chegam os vossos próprios problemas - não precisam de vir para aqui ler sobre os meus. Mas hoje apetece-me rabujar um bocadinhozinho de nada, se não levarem a mal.
Quando fiz o Erasmus em Inglaterra, há quase 6 anos, já começava a haver blogs (é dessa altura
a minha primeira incursão nas actividades blogueiras, enquanto fundadora de um blog colectivo de homenagem ao Ricardo) mas eram pouco utilizados. YouTube ou Facebook nem vê-los, Twitter ainda menos. Agora, ser uma amiga/prima/filha/irmã/sobrinha emigrante é bem mais fácil - sobram meios variadíssimos de nos mantermos em contacto, partilharmos fotografias e vídeos, pormos a conversa em dia, sabermos o que é que cada pessoa na nossa lista de amig@s do Facebook está a pensar ou fazer em cada momento.
Estas inovações são óptimas, não há dúvida... mas começo a sentir que não tenho pedalada para me manter a par das novidades que todas estas plataformas me trazem sobre gente de quem gosto, e de vos manter actualizad@s sobre a minha vida regularmente. O caudal de informação que chega continuamente é impressionante, e entre trabalho para o doutoramento (e todos os outros projectos entusiasmantes em que me vou metendo), a vida social londrina (de repente bem mais animada) e as malditas dores de costas que me limitam a capacidade e a paciência para estar à frente do computador, sobra muito pouco tempo e força para ir partilhando a minha vida aqui e ali. E para dar a atenção devida às vossas vidas, generosamente partilhadas nos mais diversos sítios.
E depois sinto-me culpada e triste, e vou ensaiando diariamente o meu mini-exercício de auto-repreensão: "ai Maria, que passou mais um dia sem actualizares o blog, ai Maria, que tem que ser amanhã, ai Maria, que há tanto tempo que não vais comentar os blogs d@s amig@s, ai ai". Raios partam o sentimento de culpa judaico-cristão, tão pouco atraente e com tanto jeito para atrofiar a criatividade. Já chega, caramba. Os blogs servem para entreter, não para acrescentar mais uma coisa à lista das tarefas por fazer ou, pior ainda, das tarefas que não foram feitas. E eu sei que vocês gostam mais de me ver descomplexada e relaxada, do que invadida de culpazinha portuguesa e feminina (blergh, que cheiro a mofo!).
Não posso prometer que venho cá actualizar isto sempre, mas prometo que farei o que posso, sempre que possível. E o mais importante de tudo - prometo que a auto-repreensão acaba aqui. E as mini-lamúrias também...
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